Coronavírus: o que deve fazer quem está em grupos de risco

Coronavírus: o que deve fazer quem está em grupos de risco

Com mais de 300 mil pessoas contaminadas em todo o mundo e uma taxa de mortalidade de 3,74%, o coronavírus é atualmente a principal preocupação global quando o assunto é saúde pública. Apesar de ser considerada uma doença de relativa baixa letalidade, o vírus se espalha com rapidez e estrangula sistemas de atendimento até mesmo em países com bons índices de desenvolvimento humano.

Preocupa também a agressividade dos sintomas em alguns grupos específicos. Idosos, doentes crônicos e fumantes têm apresentado sinais mais debilitantes e muita dificuldade em enfrentar a doença. Isso acontece porque o sistema imunológico dos infectados conta muito na hora do tratamento.

Pessoas que estão com a saúde em dia, têm mais chances de passar pelo coronavírus com sintomas leves, semelhantes aos de uma gripe comum e até mesmo nem perceber que estão com a doença. No entanto, o isolamento vale para toda a população, justamente porque quem é assintomático pode ser vetor de transmissão para os grupos de risco – pessoas que precisam contar com cuidados rígidos nesse momento.

Idosos

Desde o início da pandemia, os profissionais de saúde têm observado que a taxa de mortalidade entre pessoas acima dos 60 anos é bastante superior à média geral e chega a 15%. Para este grupo, principalmente em casos de diabéticos, hipertensos e cardíacos, por exemplo, o isolamento precisa ser implementado com muita disciplina. Aglomerações, festas, eventos públicos e viagens devem ser evitados a qualquer custo.

A higiene é um ponto importantíssimo. As mãos, o antebraço e o rosto precisam ser lavados constantemente. Vale ressaltar que o coronavírus também é transmitido pelas fezes. Mais um ponto que coloca os hábitos de limpeza e cuidados pessoais como princípios fundamentais de controle. Quem estiver com tosse ou espirro deve cobrir a boca e usar lenços descartáveis, que irão para o lixo imediatamente após o uso.

Se um idoso tiver qualquer sintoma do coronavírus, o ideal é buscar atendimento domiciliar com as equipes de medicina da família, antes de procurar um posto de saúde ou hospital. Isso porque a tendência é de que esses locais tenham grande concentração de pessoas durante o período da pandemia e o risco de contaminação é maior.

Saúde mental

O médico geriatra André Junqueira Xavier lembra que o isolamento pode desencadear processos de ansiedade e depressão e ressalta que será preciso um esforço comunitário para tomar conta dos idosos brasileiros. Medidas de solidariedade, como se oferecer para fazer compras ou manter conversas diárias pela internet com pessoas da terceira idade, são muito bem-vindas. É preciso prestar atenção também às pessoas mais velhas que vivem sozinhas ou não contam com membros da família por perto.  As afirmações do médico apontam que é hora de superar o abismo entre gerações. 

“Na internet está rolando uma frase muito legal, que é 'quero meus coroas vivos'. Eles precisam ficar protegidos agora, porque estão muito mais suscetíveis. É preciso conversar com essas pessoas sempre sobre a importância do isolamento. É preciso falar sério sobre isso. Para essa população é isso: isolamento, boa alimentação, hidratação, tomar sol - porque há relatos de que a vitamina D ajuda nos sintomas respiratórios. O idoso que sabe usar o celular, que vive sozinho, pode eleger uma pessoa que vai ajudar, que pode fazer compras, pode conversar pelas redes sociais, se transformar em um amigo”, aconselha o especialista. 

Fumantes

Entre os pacientes chineses que tiveram pneumonia após a infecção pelo coronavírus, os fumantes apresentaram 14 vezes mais chances de agravamento da doença. O cigarro se tornou o fator de risco mais forte entre os examinados. A possibilidade de contágio aumenta também para aqueles que compartilham o uso de cigarros e narguilés, por exemplo.  Isso fez com que alguns países do Mediterrâneo oriental até mesmo proibissem o narguilé em locais públicos durante a pandemia. 

Para os fumantes, o conselho é parar imediatamente. Não há nenhum hábito ou cuidado que possa garantir que esse grupo terá sintomas leves caso seja infectado. Pelo contrário, as chances de um fumante com coronavírus precisar de internação ou até mesmo tratamento em UTI são muito grandes. O ideal é tentar usar a pandemia como gatilho e motivação para cessar o hábito, como explica a médica epidemiologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Eleonora d’ Orsi.

“Quem fuma tem uma saúde pulmonar severamente comprometida.  Chegar um vírus novo numa pessoa fumante, é um estrago tremendo, a pessoa não tem resistência nenhuma. O vírus destrói um pulmão que já está comprometido. Quem fuma, precisa parar de fumar urgentemente. O fumante que for infectado com a covid-19 é quem vai parar no hospital e na UTI. Nós já temos um percentual baixo de fumantes no Brasil, está abaixo de 10%. Mas as pessoas que ainda estão fumantes precisam parar de fumar hoje. Elas estão correndo risco de vida", alerta. 

Doentes crônicos

Quem tem diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e outras condições crônicas também corre mais riscos de desenvolver sintomas severos caso seja infectado com  coronavírus.  Isso porque o sistema imunológico está mais comprometido nesses pacientes, o que aumenta as chances de infecções graves. 

A diabetes e a hipertensão deixam os glóbulos brancos debilitados e comprometem as defesas iniciais do corpo. Quem está se tratando contra o câncer, também fica mais frágil. No caso dos cardíacos, o comprometimento do pulmão sobrecarrega o coração. Para todas essas pessoas, o isolamento, as medidas de higiene e o cuidado rígido com os tratamentos em curso são obrigatórios.

O cuidado deve se estender a qualquer tipo de condição crônica, mesmo aquelas que não atingem diretamente o sistema imunológico. A pandemia vai lotar a rede de saúde e esse certamente não será o momento de procurar hospitais e postos por outros motivos. 

É importante que doentes crônicos tenham um plano de ação, caso apresentem sintomas ou precisem de atendimento por algum outro motivo. Conversar com os médicos que já acompanham esses pacientes pode ser determinante. Anotar telefones de emergência, verificar as possibilidades de atendimento domiciliar e ter os remédios necessários em casa para um período de pelo menos um mês também devem estar no planejamento.

O médico André Junqueira Xavier avalia que esse contato não precisa nem mesmo ser presencial, mas é necessário neste momento. 

"Se a pessoa está usando a mesma medicação há muito tempo e não está indo na rotina ver como está o tratamento é melhor ir. Ter informação sobre o novo vírus com o médico que está acompanhando. Nos tempos de hoje, isso pode ser feito até online ou por telefone. O importante é conversar com esse profissional, para ver se tem que tomar alguma providência quanto ao tratamento.  A tendência geral é que quanto mais fragilizada a pessoa estiver pela condição crônica, ela pode ter maior suscetibilidade".

Todas as medidas para garantir um reforço no sistema imunológico valem não só para pessoas que fazem parte dos grupos de risco. Boa alimentação, hidratação, prática de exercícios físicos – mesmo que no ambiente doméstico – e até mesmo aqueles quinze minutos de sol na janela do apartamento ou na varanda de casa são benéficos para todas as idades e condições.

Fonte: Brasil de Fato