Autoestima é fundamental a pessoas na terceira idade

Autoestima é fundamental a pessoas na terceira idade

Mãe de cinco filhos, avó de oito netos e com três bisnetos, a cabeleireira aposentada Yvanilsa Maria de Arruda, 73 anos, afirma que a autoestima sempre foi uma constante em sua vida, e que agora, na terceira idade, não é diferente. Viúva há 21 anos, e com problemas e tristezas como qualquer outra pessoa pode ter, ela diz que seu amor pela vida se dá ao agradecimento a Deus:"ao contrário de muitos, não acho que meu fim está chegando conforme envelheço, mas sim que tenho mais um dia para viver, e que esse dia merece ser bem vivido", destaca. 
  Vaidosa desde criança, e até mesmo revolucionária, usando calça comprida e tingindo os cabelos quando tais atitudes não eram tão comuns, Yvanilsa entende que a autoestima não deve ser relacionada apenas pelo visual de quem se arruma, pois há quem seja feliz se apresentando de modo mais simples, mas ressalta que isso melhora o ânimo, e diz não sair da casa sem ao menos estar com batom, e procura, semanalmente, ir ao salão arrumar os cabelos. 
Para ela, ter autoestima é "aceitar os defeitos, não somente os externos, mas as falhas que temos, e procurarmos melhorar sempre, dia-a-dia". Ela também explica que a felicidade pode ser diferente em cada fase de vida, mas que ela existe, e citou sentir a falta do marido, mas que a companhia dos filhos, netos e bisnetos tornam os seus dias mais felizes. E esse amor à vida a empurra para uma existência mais saudável, tanto que vai retornar para as atividades físicas na ACM, onde "também encontro amigos que falam a mesma língua". 
Yvanilsa afirma sentir-se realizada e usa sua experiência também para aconselhar os mais jovens a terem amigos de verdade e não tanto virtuais.

Gostar de si mesmo melhora a saúde e a qualidade de vida
A autoestima é importante em todas as fases da vida, mas na terceira idade o sentimento de se gostar e o de se aceitar como é, vai refletir também em melhor qualidade de vida. A afirmação é da psicóloga Ana Laura Schliemann, professora na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e Sorocaba, que acrescenta ainda que a autoestima nessa fase da vida pode colaborar inclusive para uma saúde mais estável.
De acordo com a psicóloga Ana Laura, é, preciso ter em mente que a autoestima é importante em cada fase de nossas vidas, e que a gente a constrói ao longo de nossa existência, e também a reconstruímos em cada fase alcançada.
A psicóloga também explica que o desejo, por exemplo, de fazer uma cirurgia plástica está totalmente vinculado à autoestima se essa vontade estiver relacionada em melhorar algo com o que a pessoa se sinta melhor. Mas, se for por achar que somente com essa mudança irá agradar aos outros, então é baixa autoestima. Outro aspecto elencado pela psicóloga é o fator do merecimento, a consciência de que "eu fiz por merecer".
A professora universitária destaca que a compreensão de todos esses conceitos permite uma vivência melhor, e que na terceira idade, a autoestima faz com que a vida se torne muito melhor. Isso porque, o idoso que se gosta, que se cuida, provavelmente se preocupe também com boa alimentação, prática esportiva, e, consequentemente, irá se proteger de doenças.
E outro aspecto abordado pela psicóloga Ana Laura é o de que com autoestima, o idoso também poderá fazer coisas que antes, por causa do trabalho, de ter que cuidar da família, não podia fazer, como, por exemplo, se dedicar a um trabalho voluntário, ou mesmo viajar, o que inclusive está ligado à qualidade de vida. 
Fonte JOrnal Cruzeiro